CLUBE CURITIBANO - SEDE MERCÊS


PROJETO PREMIADO ENTRE 3 FINALISTAS - CONCURSO FECHADO


Se Theo Van Doesburg estava certo ao afirmar que a cultura de um povo se materializa em sua arquitetura, revelando suas virtudes e fraquezas, este é um caso exemplar. Fruto de uma sociedade que almeja construir uma nação progressista e soberana, o Clube Curitibano tem a tradição de fornecer os estímulos necessários para que tais objetivos sejam alcançados. Desde a construção de sua antiga sede na Rua XV de Novembro, passando pela cobertura plissada da sede da Avenida Getúlio Vargas, a visão de que a arquitetura deve ser um ícone da própria instituição esteve sempre presente. Este projeto mantém esse entendimento e pretende dar um passo adiante: conectar o ícone com a cidade a partir de suas ruas e calçadas, transformando sua arquitetura em um molde para a coletividade, anseio e propósito inato de um clube. Observa-se claramente que os acessos localizados à Rua dos Capuchinos e à Rua Jacarezinho são mais que uma mera coincidência geométrica, constituindo-se na própria extensão da Rua Myltho Anselmo da Silva para dentro do terreno - uma rua certamente privada, mas de eminente caráter urbano. Ao percorrer este trajeto, nota-se que a grande área livre e o bosque de mata nativa são exceções em seu contexto urbano. Em todo o bairro das Mercês listam-se poucos lotes dedicados a praças e áreas de convívio para a comunidade. Nesse sentido, o eixo natural de conexão com a malha urbana e a mirada desimpedida devem ser as raízes para qualquer arquitetura que este lugar pretenda acolher.

    

O partido desta proposta se pauta na criação de um novo eixo, transversal ao existente, subdividido em níveis mais elevados que o pavimento térreo. Desse modo, permite que a integração entre as atividades requeridas pelo programa e as áreas verdes naturais do terreno seja efetivada sem o prejuízo da quebra do eixo primário. Paralelo ao mesmo, dois volumes apoiados por seis pilares em concreto armado e vigas metálicas conformam entre si um vazio, que marca o acesso e estende a visão da Rua Jacarezinho para dentro do lote. Ao sul, um terceiro volume apoiado por um pórtico de mesma configuração estrutural, toma posse da parte mais segregada do sítio ao se integrar à natureza em meio às árvores. A partir dessa lógica, surgem três estratos espaciais: o primeiro, formado pelo pavimento térreo, é eminentemente público e abriga as áreas de esporte ao ar livre, os acessos e uma  das quadras poliesportivas (que também poderá ser utilizada para apresentações culturais), o segundo, mais amplo, configura-se pelos pavimentos superiores e reúne as atividades de uso exclusivo dos sócios; o terceiro e último surge a partir do aproveitamento do espaço sob a esplanada e acomoda, além dos estacionamentos, as partes do programa independentes dos equipamentos esportivos e que podem ser frequentadas pelo público em geral, como o restaurante e os salões de festa. Essa distribuição permite que o espaço seja utilizado por diversos grupos de usuários sem conflito entre as circulações. Para garantir o fluxo ideal entre esses estratos, a circulação vertical foi posicionada no interior dos pilares principais e entre eles. Nos pilares próximos ao eixo transversal, estão os elevadores, de modo a garantir o deslocamento de forma rápida, e contemplar a acessibilidade. 

Categoria

  • Concursos

Data

2014

Local

CURITIBA - PR

Projeto

Michel Macedo, Vicente Deeke Boguszewski

Consultores

Eunice Rauen Vianna, Mauer Egas, Shido Ogura, Vania Deeke

Colaboradores

Adriana Strapasson, Carolina Rietter



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